3ª fase do método Global’eu

       Todos os alunos terão agora em seu poder um dossier com 23 folhas A4, tendo desenhadas 23 imagens com os respectivos encaixes desenhados. Têm também 24 letras que lhes permitiram escrever as 23 palavras que serviram de base de trabalho. Aproveitando esse material didáctico poderemos organizar as seguintes actividades de síntese:

1º- Os alunos trabalharão aos pares numa carteira. O aluno A pega no seu dossier e, começando na primeira imagem que arquivou na fase anterior, dita a palavra (ave) ao seu companheiro, aluno B. O aluno B pega nas suas 24 letras e compõe a palavra ditada, em cima da mesa, sem se guiar pela sua folha com a imagem e o puzzle. O aluno A, vendo pela sua folha e não deixando que o aluno B copie, dirá se a palavra está bem ou mal escrita. Se estiver mal, o companheiro terá de tentar corrigir, se estiver bem passará a escrever a nova palavra que o companheiro lhe ditará da outra folha que tem arquivada. E assim continuarão até o aluno B escrever as 23 palavrinhas. Depois invertem-se os papéis, fazendo o B o que fazia o A, e o A o que fazia o B.

        O jogo poderá ser repetido por vários dias até se consolidarem as práticas pretendidas sem que os alunos se aborreçam, pois que sendo um jogo, sempre aparece um jeito de competição que motiva; ora entre os dois companheiros, ora entre os diversos pares que se constituíram. Além disso convém que cada dia que se organizar este jogo os parceiros mudarem.

       Este jogo não invalida, antes se aconselha, que se continuem a escrever pequenas frases no quadro preto, que os alunos lerão e escreverão, ainda globalmente, pretendendo-se que com o jogo os alunos comecem a perceber o jogo da síntese que o seu sincretismo vai dificultando e o jogo facilitando.

        Deverá ter-se em conta que na fase das globalizações as crianças lêem porque sabem; só depois na fase das sínteses as crianças sabem porque lêem. Mas não vale queimar etapas no sentido de inverter a ordem ou abreviar o processo. Tem que se passar por aí. E a mudança de cada aluno é espontânea e ao seu ritmo, podendo coexistir na turma sem necessidade de fazer grupos prematuros que excluem.

          2º- Nesta unidade de trabalho vamos já prescindir dos dossiers dos alunos, trabalhando somente com as 24 letra de cada aluno. Os alunos vão trabalhar novamente aos pares, só que agora “caçando” palavras novas e à vontade de cada dois. Será proposto aos alunos que escrevam as palavras que entendam.

Deverão usar as letras dos dois companheiros porque é natural que agora apareçam palavras com letras repetidas, não chegando a 24 só dum. Mas é natural que mesmo assim a alguns pares falte alguma letra, pelo que o professor deverá ter a jeito algumas letras que lhes possa emprestar. Aparecem sempre algumas palavras mal escritas, pelo que deverá o professor sugerir as devidas correcções como um incentivo, que nunca uma censura. Em cada dia que se faz o jogo deveremos também mudar os parceiros a fim de refrescar a motivação. Normalmente os alunos gostam do jogo porque traz alguma competição. Por isso o professor deverá elogiar cada par que caça uma nova palavra, enunciando o facto perante a turma, ou mesmo algum par que resolve escrever uma palavra já escrita por outros parceiros.

        Porque me parece sugestivo sempre contarei aqui um facto passado na minha última turma do 1º ano, quando os alunos estavam neste trabalho.

Duas meninas, fazendo par, estavam caçando as suas palavras muito divertidamente, colocando as suas letras, mas rindo, escondendo a cara e olhando para o lado como que envergonhadas. Notei, fiquei atento, mas continuei pela sala incentivando, apoiando e/ou corrigindo, mandando que caçassem outras, até que o dito par concluiu a sua tarefa, ficando ainda mais encolhidas. Então lá me dirigi às ditas companheiras, dizendo em voz alta que sim senhores, a palavra estava bem escrita mas que precisava que elas a lessem em voz alta para que todos ouvissem. Agora é que elas ruborizaram!…

Tinham escrito correctamente a palavra PILOTA !…E a propósito e interdisciplinarmente lá partimos para “outra” educação (ou a mesma?).

       Poderemos também aqui ir pedindo aos companheiros que caçaram uma palavra nova que a vão escrever ao quadro para que todos os alunos a possam ler, tornando a aula viva, participada e divertida.

3º- É agora tempo de mandar arrecadar os dossiers e todas as letras móveis com que trabalhámos até este momento. E é altura dos alunos começarem a construir as suas frases, contextualizadas de preferência, oralmente primeiro e em voz alta perante a turma, e depois escritas no quadro preto e no caderno de cada um. Pode ser necessário que o professor tenha de fornecer de vez em quando alguma das suas letras móveis a fim dos alunos escreverem com elas alguma palavra mais resistente ao giz ou ao lápis; porque para as crianças não é da mesma complexidade escrever com giz ou lápis letras que não podem manipular e com letras móveis que se sentem nas mãos directamente.

      E aqui já poderemos começar a introduzir algumas noções de sintaxe; é preciso que a frase seja pequena, que tenha uma pessoa ou um animal que faça um trabalho (acção), que nos indique o trabalho (acção) feito e sobre o quê ou quem se exerceu esse trabalho (acção).

Ex: O João escreve um conto.

Qualquer criança de 6 anos entende que o João é o dono da frase, e se não estiver lá o nome aquilo não fica bem; que escreve indica o trabalho de escrever, e se não estiver na frase ela fica mal; e o trabalho terá de completar alguma coisa que é um conto. E se depois da frase escrita lhes pedirmos que façam um risco verde (por exemplo) por baixo da palavra que nos indica o nome, eles não falharão a palavra João; e se lhe pedirmos que por baixo da palavra que nos indica o trabalho façam um risco encarnado (por exemplo), eles não falharão a palavra escreve. E os alunos assim já estão a entender a estrutura normal duma frase. Já estão a fazer sintaxe que é muito fácil do que a morfologia.      E o trabalho base será construir, escrever e ler frases curtas, de preferência contextualizadas, e com todos os seus elementos essenciais e se possível com os tais tracinhos verde e encarnado.

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