Métodos Mistos

        Como as ciências de educação - Psicologia, Pedagogia e Didáctica - caem sempre no campo da subjectividade, isto é, dependem de quem as analisa e as aplica e onde, como e a quem são aplicadas, e como quase sempre os fundamentalismos nestas ciências não resultam pela diversidade das pessoas, começaram a aparecer opiniões de que o método ideal não seria puro, mas sim composto de uns passos duma corrente e uns passos de outra ou outras. E então foram aparecendo vários métodos de iniciação da leitura e escrita conforme as circunstâncias, procurando não fugir muito das normas correntes porque sempre são sustentadas por quem investiga e conclui.              

                Método Analítico-Sintético Legográfico     

    Muitos professores entenderam que nos métodos globais ou analíticos os alunos ficavam muito e excessivamente dependentes de si próprios, porque eram levados a globalizar os textos, sem no entanto serem encaminhados até à análise da mais pequena parte constituinte da palavra – a letra. Admitiam até que muito dificilmente escreveriam sem erros ortográficos, por eventualmente não distinguirem todas as letras de cada palavra e não entenderem a sua função de síntese nos vocábulos. Muitos médicos psiquiatras e psicólogos culpam o método global pelos erros ortográficos que os seus pequenos pacientes dão, especialmente os que sofrem de dislexia e/ou disgrafia.

         Então, muitos professores decidiram aplicar as vantagens próprias dos métodos globais, mas descendo em análise até à letra, para imediatamente a seguir proceder à síntese da mesma palavra, próprio do velho método sintético. Supunha-se que assim o aluno, ao compreender a palavra e o seu significado contextualizado, e ao desmontá-la e ao voltar a montá-la, entenderia o mecanismo da leitura da referida palavra.

         O professor faria por aparecer uma qualquer história, por exemplo dum gato, que funcionaria como centro de interesse e de contextualização, e que era a sua personagem, escrevia o nome no quadro preto e todos os alunos  liam globalmente. Seguidamente, o professor levava os alunos a pronunciar a palavra devagarinho de modo a isolar as suas sílabas, e ainda mais devagarinho, isolando as letras, ficando:

                                                                       gato

                                                                 ga……….to

                                                             g…a……..t…..o

          Depois era fazer a síntese e ficaria:            g…a……t…o

                                                                                   ga………to

                                                                                        gato

         E o aluno depois fazia o traçado do g.

         E procedia-se desta forma para todas as letras do alfabeto. Aqui havia professores que diziam o nome das letras e necessariamente o seu valor, e havia outros que se ficavam pelo seu valor tirado da palavra. Chamava-se LEGOGRÁFICO pelo facto da preocupação do ensino da leitura ser simultâneo com o ensino da escrita.

         Começaram depois a aparecer opiniões que diziam que por este método os alunos não chegavam a treinar o exercício da globalização, porque imediatamente passavam à análise e ainda por cima até à letra, o que era considerado excessivamente precoce pelos globalistas e começavam logo no exercício de síntese, o que seria considerado violento por obrigar a criança a distinguir muito precocemente a ínfima parte da palavra – a letra, e logo a seguir proceder à técnica do b a ba.

         Quer dizer: achavam tudo  muito rápido, com passos diferenciados e dados imediatamente a seguir uns aos outros, afirmando que daí resultariam inevitavelmente confusões aos alunos.

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