Método Sintético

         O método mais antigo que  melhor se conhece é o método SINTÉTICO. É um método que parte das partes para o todo, do desconhecido para o conhecido, é o método do be a bá.

        Na escrita, é o método que se inicia com o traçado isolado de cada letra, e às vezes só parte dela, sem se saber o que ela significa, tendo de ser traçada dentro dum espaço limitado (papel de duas linhas) e logo nas proporções e nas inclinações devidas.

        Na iniciação desportiva corresponde àquela prática que consiste em propor ao aluno que de início faça uma série de exercícios de que ele não vislumbra a sua utilidade, como sejam gestos que terá de aprender a fazer sem bola, por exemplo, para que depois com ela e mais tarde os use no desenvolvimento da prática desportiva plena.

         Na iniciação musical corresponde à prática de ensinar, primeiro que tudo, o solfejo, as figuras, as notas e a sua posição nas pautas, etc., para que depois, juntando isso tudo, o aluno possa ler e escrever música.

         Nas oficinas de mecânica, por exemplo, corresponderia a ensinar ao aprendiz o nome e o desenho de todas as peças dum automóvel, para que é que elas serviriam e como se interligariam, sem nunca ter visto um automóvel com o seu motor a trabalhar. E depois de as conhecer todas, começar então a montar e a desmontar o automóvel e o seu motor, esperando-se que o aprendiz só porque já aprendeu os nomes e as formas das peças todas e as relacionava, estava apto a trabalhar como mecânico.

        Na Escola ensinavam-se os nomes e o traçado de todas as letras do abecedário, isoladas umas das outras, sem o aluno saber o que era e para que servia aquilo e depois de bem sabidas era suposto que o aluno já sabia ler porque bastava juntar as letras e soletrar. Assim um e um a teria de fazer , e um e um o teria de fazer To, e depois tudo junto parecia evidente e inevitável que desse pato.

        Hoje parece claro que um método destes e para ensinar seja o que for a crianças, é um absurdo:

         1º- Porque a criança não tem a percepção das partes antes de conhecer o todo;

         2º- Porque é fastidioso para a criança estar a trabalhar a partir do desconhecido, para que muito mais tarde, e só na cabeça do adulto, a criança venha a identificar o conhecido;

         3º- Porque não tem lógica.

          Senão vejamos a palavra pato. A letra não vale , porque só seria assim se tivesse um ê à sua frente. Sozinha ela não tem som, ela simplesmente corresponde a uma posição do aparelho fonador e soará CONSOANTE a vogal que se lhe vier a colocar à sua frente; é por isso que se chama CONSOANTE, a ela e a mais dezoito letras do nosso alfabeto. Vogais são o A, E, I, O, U, porque estes sim já têm VOZ própria, independente de qualquer associação com outras letras. Se se juntar um e um a, o mais que dá é Pêa. E como o e o o sofrem do mesmo mal, não teríamos To, mas sim Têo. Como resultado lógico deste imbróglio seria um Pêatêo e nunca um Pato. Mas isto é conversa de adulto, porque para criança nem uma nem outra, como parece evidente, servem.

        Na escrita também não se compreende como é que uma criança que ainda não domina a forma duma letra a há-de desenhar num espaço limitado e seu desconhecido. Tomáramos  nós que a criança lhe desse o feitio próprio num espaço á sua vontade. Como limitação já lhe basta a forma estranha que cada letra tem. O que parece lógico é que lhe dêmos uma folha de papel liso, do tamanho do papel de máquina (A4) e pode ser que nele todo caiba uma letra que ele desenhe pela primeira vez.

            Assim, a criança só muito tarde começará a ler e a escrever palavrinhas, e mesmo assim, soletrando.

           Este método está hoje em desuso pelas razões expostas e há muitos anos. Já João de Deus criou a sua Cartilha Maternal como contraponto ao método SINTÉTICO que condenava abertamente. Mas se falarmos com adultos de meia idade, provavelmente se referem ao método como tendo tido contacto com ele na sua Escola, o que evidencia que ele não desapareceu assim há tanto tempo. Se calhar ficaram por aí resquícios que não sei se não perdurarão ainda hoje. Mesmo nos livros de textos para o 1º ano de escolaridade de hoje, se vêem lições que são introduzidas com o mais um a faz Pa e um e um i faz Pi, etc., e só depois aparece um pequeno texto alusivo, quando o que seria de esperar, quanto muito, era que viesse no fim do texto como conclusão da regra.

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