Haverá uma diminuição da qualidade dos leitores de hoje?

       

     O que parece existir hoje é uma menor percentagem das pessoas  que sabem ler, a lerem  obras dos clássicos ou mesmo de bons escritores modernos – o que não quer dizer menos leitores – do que sucederia antigamente, pela simples razão de que hoje as solicitações para outras leituras são muito mais e mais atraentes por mais breves e de resultados práticos mais imediatos. Hoje vive-se de imediatismos.

       Hoje, a todo o lado chegam os jornais e jornais desportivos, abundam os filmes legendados e  navega-se na internet; tudo situações em que as pessoas também lêem, pouco de cada vez, mas pela frequência com que o fazem acumulam muita leitura. É claro que não é leitura onde se goze um estilo ou se comparem diferentes maneiras – correntes – de escrever; é uma leitura de consumo imediato e não uma leitura de prazer prolongado. Isto sem contar com as mil e uma solicitações que a vida moderna põe à disposição do cidadão e o desvia da leitura.

       Antigamente a vida dos cidadãos era mais calma, havia menos acesso a ocupação de tempos livres e o que mais estava à mão de cada um era um livro que se lia no sossego do lar, parecendo ter à sua disposição todo o tempo do mundo para apreciar o estilo e exercitar a imaginação – não admira assim que nesse tempo, de entre os poucos que sabiam ler, aparecessem muitos e bons leitores.

        Naquele tempo, o acesso à cultura dita erudita era feita quase unicamente através do livro; hoje essa mesma cultura está à nossa mão de maneira simples e deveras variada.

      Acresce ainda que nos tempos antigos só aprendiam  a ler aqueles cujo ambiente familiar já era propenso à leitura, conviviam de pequeninos com ambientes de literatura e rodeados de livros, sendo regra que se tornavam bons leitores; hoje massificou-se o ensino da leitura, e vão à escola crianças que nunca conviveram com livros nem contactaram com ambientes de leitura, sendo de prever que não venham a ser muito propensos para a leitura dita erudita – as honrosas excepções confirmarão a regra.       Penso até que a comparação é difícil ou mesmo impossível de equacionar por se referirem a tempos e a conjunturas totalmente diferenciadas. É bom que se analisem as várias vivências, mas cada uma lá no seu cantinho do seu tempo.

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