Haverá muitas crianças que se tornem analfabetos funcionais?

      

         Também aqui não se conhecem estatísticas que nos permitam concluir da percentagem de casos de retrocesso. O único estudo que se conhece e cujos resultados têm, ou tiveram, um efeito alarmante na população portuguesa e no meio escolar em especial, foi o estudo da literacia em Portugal da responsabilidade da Sra. Professora Dra. Ana Benavente, actual Secretária de Estado da Educação e Inovação, e que revelaram um estado de iliteracia atroz na população portuguesa. Embora se supusesse que pudessem existir casos, nunca se esperariam tantos.

         Suponho que as causas para tal situação se deverão:

1º Elevada percentagem de pessoas (massificação) que frequentaram a Escola, a partir da obrigatoriedade escolar, criando expectativas (infundadas?) de êxito na literacia;

 

2º Os métodos de iniciação à leitura e escrita por que as crianças eventualmente aprenderam na Escola foram excessivamente traumatizantes, abandonando a leitura e escrita logo que deixaram de ser obrigatórias;    

 

3º Muitas das crianças, ao saírem da Escola, foram absorvidas pela não cultura da literacia do seu ambiente familiar, retrocedendo;

 

4º A profissão que seguiram não se relacionava com a leitura e escrita;

 

5º A cultura do seu meio social no pós escola não se relacionava com hábitos de leitura e escrita.

 E enquanto a Escola não conseguir criar hábitos de leitura nos seus alunos de modo que  influenciem positivamente os seus ambientes familiares e convivenciais no pós escola, criando um ciclo vicioso positivo no sentido de virem a motivar os futuros pequenitos para a leitura na futura escola, que por sua vez darão melhores leitores adultos, não se irá muito longe em termos de massificação da literacia.

 O que quer dizer que enquanto a Escola e a família  não comungarem no mesmo objectivo, que é fazer da leitura e da escrita factores de prazer e ferramentas indispensáveis no trabalho diário e no convívio em sociedade, encontraremos sempre iliteracia, pelo menos a resultante dum analfabetismo funcional.

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