Haverá hoje mais ou menos pessoas a ler?           

        É frequente ouvirmos, nos seminários ou colóquios sobre educação, afirmar que as   nossas crianças de hoje lêem menos do que as do tempo dos seus avós. São afirmações sem suporte estatístico, sendo fundamentadas simplesmente pelo que cada um acha do cimo do seu posto de observação. E o único ponto concreto de referência que parece termos são as vendas de livros e de jornais, sendo referido frequentemente pelos editores, que vão aumentando, afirmação que contradiz a primeira suposição.

          O que nos parece, do nosso posto de observação e também sem nenhum estudo estatístico, é que efectivamente terá de haver muito mais gente a ler porque há muito mais gente a ir à escola e vão diminuindo os analfabetos literais, se bem que dos que ficam a saber ler à saída da Escola, muitos, passado algum tempo e com as cada vez mais exigências da vida que corre, se tornam  analfabetos funcionais (não conseguem usar a leitura para se movimentarem na sociedade em que estão inseridos- iliteracia), mas nunca serão tantos quantos os que dantes não iam à Escola. O saldo será forçosamente positivo. E suponho que quem afirma existir um saldo negativo, isso será devido a algum saudosismo do seu tempo de menino ou moço, natural de quem entra pelo outono da vida.                                                                                                                                                  

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