A conversação no seio da família.

        Regra geral, a mãe, principalmente, é duma sensatez extraordinária, instintiva com certeza, pois começa imediatamente a falar com o seu bebé, sem se importar que ele nem sequer reaja ainda, tendo ela a convicção que ele a sente, e comece aí o seu amadurecimento para a comunicação. E a mãe nunca mais pára de falar com o seu bebé, esperando dia a dia que ele reaja, primeiro da forma mais elementar e depois mais amadurecida, encetando a comunicação e mais tarde o diálogo. É este o grande trabalho didáctico/pedagógico indispensável e insubstituível de enriquecimento do bebé. E repare-se que a mãe o faz com correcção didáctica; ela não fala com o filho por sílabas e muito menos por letras, ela emprega pequenas frases, palavras ou sons que valem por frases. Ela usa o método global que recentemente tem vindo a ser adoptado por alguns professores no ensino da linguagem, da leitura e da escrita e que lhe chamaram isso mesmo (Global), e outros, aprofundando ainda mais a globalização, chamaram-lhe método natural, por ser a maneira natural como a mãe fala com o filho.

          Só é pena que algumas mães usem uma linguagem como que simbólica e não empreguem as palavras correctamente pronunciadas, que embrulhadas no tom de carinho que só elas lhe sabem dar, assumiriam o significado e a forma correctas. É que só ao bebé é reconhecido o direito de pronunciar incorrectamente as palavras sem que se lhe ralhe por isso, a mãe deverá corresponder-lhe com as palavras e as frases correctas para lhe servirem de incentivo e de modelo.

          Nos dois primeiros anos de vida a conversação com a mãe parece insubstituível; mas a partir desta idade parece aconselhável que ele se confronte também com a conversação de outras pessoas e especialmente com outras crianças mais ou menos da sua idade. É por isso que a entrada para os Jardins de Infância e Pré-Primárias se aconselha a partir dos dois anos, ainda que com carácter facultativo.

         E por este caminho é natural que a criança chegue à idade escolar com um potencial de linguagem relativamente correcto e capaz de se exprimir e de compreender o que se lhe diz.

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